Um vento varre o mundo. Varre a vida.
Leva o que ela contém.
Não me quer mais. Pois já não há o quê.
Lealdade. Sensibilidade. Justiça.
É passado.
Presente?
Apenas o desejo, de incrível qualidade:
comprometido com a mentira e desfaçatez.
Onde os xicos? Onde os baianos?
Covardes? Não sei.
Sei que não cantam o que cantavam.
Não falam o que diziam.
Mas vivem o que queriam.
A vida alheia, entretanto, é a mesma:
feita de esperança fina, sem longemirança.
Utópica.
Vislumbre que se sucede, indefinidamente, no horizonte.
Carrega tudo consigo: a própria vaidade da grandeza inexistente.
No entanto,
está passando na avenida um samba impopular.
O pecado sem perdão é inventado para não ter que perdoar
.
Manhã?
Sem jeito, pois a noite é sem lua.
Nela só se enxerga com óculos escuros.
Vistas míopes. Olhos odiosos na luz.
Amanhã?
APESAR DE VOCÊ.