Voltar a todos os posts

APESAR DE VOCÊ

25 de Fevereiro de 2026, por João Bosco Teixeira

Um vento varre o mundo. Varre a vida.

Leva o que ela contém.

Não me quer mais. Pois já não há o quê.

Lealdade. Sensibilidade. Justiça.

É passado.

 

Presente?

Apenas o desejo, de incrível qualidade:  

comprometido com a mentira e desfaçatez.

 

Onde os xicos? Onde os baianos?

Covardes? Não sei.

Sei que não cantam o que cantavam.

Não falam o que diziam.

Mas vivem o que queriam.

 

A vida alheia, entretanto, é a mesma:

feita de esperança fina, sem longemirança.

Utópica. 

Vislumbre que se sucede, indefinidamente, no horizonte.

Carrega tudo consigo: a própria vaidade da grandeza inexistente.

 

No entanto,

está passando na avenida um samba impopular.

O pecado sem perdão é inventado para não ter que perdoar

.

Manhã?

Sem jeito, pois a noite é sem lua.

Nela só se enxerga com óculos escuros.

 Vistas míopes. Olhos odiosos na luz.

 

Amanhã?

 APESAR DE VOCÊ.

Deixe um comentário

Faça o login e deixe seu comentário