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Lá se vai mais um Brasileirão

24 de Dezembro de 2025, por Vanuza Resende

O Brasileirão 2025 terminou com aquela cara de mesa de bar: cada time trazendo sua própria história, seus tropeços e seus “quase”. Um campeonato que começou acelerado, terminou dramático e deixou torcedor rindo, chorando ou suspirando aliviado. Não foi tudo no mesmo domingo, mas teve isso tudo.

O Atlético viveu um daqueles anos difíceis de explicar. Time bom, elenco caro, estádio cheio… mas nada se encaixava. Era como tentar montar um móvel sem manual: algumas peças até se encontravam, mas o conjunto não ficava de pé. A torcida vibrou pouco, reclamou muito e terminou a temporada com aquela sensação de que 2026 precisa ser completamente diferente.

Do outro lado da cidade, o Cruzeiro fez o oposto. Um pouco de espetáculo e muita organização. Foi aquele time que entrega resultado, poderia até ter entregado mais, eu sei. Mas um futebol que somou pontos importantes e virou exemplo de reconstrução. Como o torcedor precisava dessa reconstrução, e inverter a soma dos 45 pontos para a soma do “tamo quase alcançando o líder”.

No eixo Rio–São Paulo, a novela mais comentada foi a do Palmeiras. O time de Abel Ferreira correu, liderou, reagiu, perdeu, reagiu de novo… parecia sempre prestes a explodir. Mas, no fim, ficou no “quase”. Nadou o mar inteiro e morreu na beira da areia, olhando o título escapar por centímetros. Não foi fracasso, longe disso; foi só aquela temporada em que o esforço não vira troféu, por mais que o roteiro pedisse. (E atenção: não foi a coluna anterior que zicou, continuo achando a melhor dupla do futebol brasileiro: Abel e Leila, só não sei se vão continuar em 2026).

E quem aproveitou tudo isso foi o Flamengo, que viveu seu momento “tudo dá certo”. Ganhar o Brasileirão já deixaria o ano enorme, mas levantar também a Libertadores colocou 2025 na prateleira das temporadas inesquecíveis. Era um time que sabia o que queria e, principalmente, sabia como resolver jogos difíceis. No fim, ninguém conseguiu segurar.

Enquanto isso, lá na parte de baixo da tabela, o Internacional provou que emoção não é exclusividade da briga por títulos. O Colorado passou boa parte do campeonato flertando com o perigo, tropeçando em jogos improváveis e dando susto em quem olhava a tabela. Conseguiu escapar na reta final, quase de raspão, mas ficou o aviso: 2026 não pode repetir o drama.

Quando a conta fecha, o Brasileirão 2025 deixa claro por que o campeonato brasileiro é tão comentado: ninguém sabe o que vai acontecer, até acontecer, né, Mirassol? Favorito vira coadjuvante, time desacreditado vira sensação, e a última rodada é sempre aquela que arruma encrenca para estatística e coração.

Ano que vem tem mais. E, como sempre, cada clube já começa a criar sua própria história antes mesmo do apito inicial.

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